domingo, 15 de março de 2009

Ode ao Flamengo (o bairro)

Quem diria que um dia escreveria este post. Pois imbuída da graça de me casar na Igreja de Nossa Senhora da Glória do Outeiro, acabei por contemplar o passado colonial e imperial do bairro do Flamengo.

Sombras fantasmagóricas ou mágica. A história do bairro do Flamengo esconde muitas curiosidades que somente um museu da cidade do Rio de Janeiro poderia revelar (Alô, Prefeitura!!!).

Em 1º de janeiro de 1502 uma pequena frota aporta pela primeira vez em solo carioca. Os portugueses, ou homens brancos, constroem ali uma casa de pouso. Itaoca(ita = pedra e oca = casa), a casa de pedra que esses homens construíram, localizada segundo pesquisadores na região entre as atuais ruas Senador Euzébio e Princesa Januária, perto da Av. Oswaldo Cruz!

O Flamengo foi, portanto, o porto da primeira expedição portuguesa ao Rio de Janeiro. Praia de Uruçumirim! Onde até hoje desemboca o rio Carioca (cari = homem branco, oca = casa), que corre "solto" sob a Rua das Laranjeiras e desemboca na baía, ao lado do Porcão Rio's.

No Brasil Império, o Flamengo ganha uma residente pra lá de nobre. Princesa Isabel, que morava no Palácio Guanabara, ia banhar-se na praia do Flamengo por indicação médica. Mandou construir a Rua Paysandu, forrada com piso de cerâmica e ornada por palmeiras imperiais, para sua passagem.





Nos oitocentos, era costume nominar uma rua homenageando seu principal morador, geralmente o dono das chácaras, cujos terrenos eram cedidos ao governo para a abertura das ruas. No Flamengo, são várias essas ocorrências: Rua Barão de Icaraí, Rua Marquês de Paraná, Rua Marquês de Abrantes, Rua Cruz Lima...

Esse tempo de chácaras, escravos e caminhos abertos por entre a mata, abriga o contexto de inauguração da Igreja da Glória, em 1739. Com a chegada da Família Real em 1808, a igreja tornou-se Capela Imperial. Na igreja foi batizada em 1819 a primeira filha de D. Pedro I e D. Leopoldina, a princesa Maria da Glória, futura Rainha D. Maria II de Portugal.



A partir de então todos os membros da Família Imperial foram batizados na Igreja da Glória, incluindo D. Pedro II e a Princesa Isabel. Em 1839, D. Pedro II outorgou o título de "Imperial" à Irmandade que cuida da igreja, conhecida, a partir de então, como Imperial Irmandade da Nossa Senhora da Glória do Outeiro.

2 comentários:

  1. Que interessante!!D. Pedro I chegava à capela pelo mar. Ancorava no porto e subia as escadarias. O terreno entre o mar e a capela não havia ainda sido aterrado.

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